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Cimentoria

Diante de um dos momentos mais desafiadores da história recente, fizemos das paredes de nossas casas um  refúgio necessário em decorrência da pandemia. Foi nesse contexto que Lucas Vaz, natural do município de  Conceição da Barra, no estado do Espírito Santo, e a carioca Vivian Nunes iniciaram, em agosto de 2020, um processo criativo cujo objetivo central era a autocura. Para tanto, escolheram uma atividade manual que auxiliasse a saúde mental em pleno período de isolamento. Iniciaram, na varanda de casa, a criação de vasos feitos com cimento. A prática cresceu e os artistas vislumbraram a possibilidade de desenvolver mais criações. Surgiram arranjos, cabideiros, incensários. Iniciou-se a expansão das possibilidades, desembocando em uma campanha, em junho de 2021, voltada ao público de decoração na plataforma Westwing Brasil. Passos dados, em dezembro do mesmo ano, a questão: por que não a aplicação do que foi desenvolvido com cimento em uma tela? Feito. 


Os artistas voltaram-se à arte desde cedo. Vivian sempre soube que gostaria de trabalhar fazendo uso de criatividade. Ainda na infância, adorava desenhar. Ao entrar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), optou por Publicidade e Propaganda; tendo, posteriormente, atuado nas áreas de Direção de Arte e Design Gráfico.  Já Lucas, durante o ginásio, passava muito tempo ilustrando. Hoje, é bacharel em Belas Artes e Filosofia também pela UFRJ. Desse encontro, formou-se a Cimentoria. 


As incertezas da pandemia terminaram por fomentar um projeto marcado pelo desenvolvimento de um método de pintura baseado na utilização de argamassa e das sete cores disponíveis no mercado de construção. A Cimentoria é uma iniciativa artística que se propõe a transformar o cimento de obra em obra de cimento. A gênese é transpor a barreira entre matéria e observador através da metalinguagem: a tela de cimento é exposta em uma parede também de cimento, então, levanta-se a questão: o que as diferencia? O trabalho é disruptivo e subverte camadas sociais, uma vez que leva um material bruto, presente nos canteiros de obra, para salões artísticos. 


A Cimentoria acredita na arte como um espaço democrático. Segundo os artistas, existe a percepção de que o mercado da arte ainda é muito inacessível, com caminhos vetados à maioria da população. Por isso, eles propõem a aproximação aos temas necessários, de cunho social, com ênfase na luta de classes e visibilidade de grupos oprimidos como as mulheres e comunidade LGBT. O processo criativo é pautado pela liberdade, tendo como uma de suas maiores referências a relação de Jean-Michel Basquiat com temas como: estética, forma, cores e exploração de materiais.